Trayectorias Humanas Transcontinentales  é a revista eletrônica da Red Internacional América latina, África, Europa y el Caribe (ALEC) “Territorios, Poblaciones Vulnerables y Políticas Públicas”, com sede na Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade de Limoges (França )

Últimos números

NE N° 9 | 2022
Territoires, Populations Vulnérables et Politiques Publiques : culture de paix et droits de l'homme et défense des droits des populations vulnérables dans le monde au XXI° siècle
Territories, vulnerable populations, and public policies culture of peace and defense of the human rights of vulnerable populations in the 21st Century

Sob a direcção de Dominique Gay-Sylvestre

Publicado on line 22 décembre 2022

Lorsqu’en 2017, la revue numérique Trayectorias Humanas Trascontinentales a été créée, nous n’imaginions pas qu’elle atteindrait 34000 visiteurs par mois (novembre 2022). Cinq ans ont passé depuis ; les thèmes présentés dans ce nouveau numéro sont le reflet (en partie) des recherches menées au sein du réseau international ALEC. Des chercheurs de tous horizons présentent leurs réflexions sur des sujets très divers, mais toujours dans un souci d’alerter le lecteur sur des problèmes qui touchent nos sociétés du XXI° siècle, quel que soit le continent concerné.

Un grand merci à tous ceux qui nous suivent et collaborent avec nous depuis 2017 pour faire de TraHs, une revue d’excellence.

Gracias a todos los que, desde el año de 2017 nos leen y colaboran con nosotros para que TraHs se convierta en una revista de excelencia.

Dominique Gay-Sylvestre

N° 14 | 2022
Medios, violencia y alteridad. Las múltiples facetas de una realidad global
Media, violence and otherness. The multiple facets of a global reality

Sob a direcção de Paulo CELSO da SILVA, Luciana PAGLIARINI de SOUZA et Maria Ogecia DRIGO

Publicado on line 10 octobre 2022

Parece já ter se tornado lugar comum afirmar acerca da violência e da insegurança em nosso cotidiano. As notícias que nos chegam, ao mesmo tempo em que reforçam essa sensação, naturalizam guerras, assassinatos, agressões, quando insistentemente nos expõem a detalhes e imagens com os quais, passado o impacto inicial, nos familiarizamos. A rapidez com que as notícias e fatos são veiculados nos meios de comunicação, sempre em busca de novidade e exclusividade, desumaniza as relações privilegiando o fato em detrimento do sofrimento das pessoas envolvidas, seja nas guerras, nas tragédias ambientais ou familiares. Em busca depoimentos ou testemunhos em momentos de extrema fragilidade racionaliza-se algo que nem ao menos foi possível processar internamente. O mesmo ocorre com familiares que perderam seus entes mais velhos em casas de idosos, obrigados a externalizar sua dor para expectadores ávidos de imagens e novidades, como vimos durante a fase mais aguda da pandemia nos meios de comunicação de várias partes do mundo.  Isso porque, em alguns territórios, os meios são proibidos, censurados e se autocensuram para não informar e noticiar os fatos.

Cabe ainda aos meios de comunicação “escolher” o que será ou não a notícia de amanhã. E muitas vezes essa escolha é global, as agências de notícias determinam o que é e o que não é importante para as pessoas em seus locais. As múltiplas formas de violência são simplificadas quando a imprensa privilegia apenas os crimes, afirmava Sérgio Adorno ao analisar o sujeito em “Violência, ficção e realidade” (1995). Entretanto, para as ciências sociais, continua sendo um desafio compreender o fenômeno da violência e as múltiplas facetas que cabem sob esse rótulo continua. Ainda devemos, necessariamente, considerar a existência de inúmeros componentes na cena violenta: a vítima, o agressor, os familiares e amigos de ambos, os agentes de polícia e todo o público que consome os fatos cotidianos em suas múltiplas plataformas midiáticas, assim como as próprias plataformas. Quem são as personagens vítimas das violências? E seus agressores, por que o fazem? Dialeticamente, agredidos, agressores, espectadores e meios de comunicação deixam marcas uns nos outros, pois participam do mesmo processo construído socialmente.

Considerando-se que o diálogo das culturas deveria ser uma das características do nosso tempo, convém enfatizar que então se faria necessária uma nova maneira de viver a alteridade, com a afirmação da exterioridade do outro que vem junto com seu reconhecimento enquanto sujeito.  Este tempo clamaria pela superação de si, o que implicaria a epifania do outro.  Neste aspecto, a questão que se coloca é como as mídias que, num sentido amplo, compreendem desde relações interpessoais até processos massivos, podem contribuir para propagar o respeito ao outro, ao diferente, ao estranho, ao estrangeiro?

A temática “Mídias, violência e alteridade. As múltiplas facetas de uma realidade global” vai ao encontro dos temas de pesquisa desenvolvidas pela Rede Internacional América Latina, Europa, Caribe (ALEC), que busca trabalhar pelos direitos humanos; construir conhecimento especializado sobre as realidades e formas de discriminação que afetam as populações vulneráveis, nos diferentes continentes e territórios em que atua, na família, no trabalho, na sociedade, nos campos educacional, de saúde , social e no quadro da diversidade, do ambiente, dos conflitos; contribuir para a mudança cultural e social, bem como assessorar e apoiar a construção de políticas públicas por meio de soluções alternativas viáveis e práticas diferenciadas entre homens e mulheres, baseadas no respeito, equidade, reconhecimento e desenvolvimento de direitos, empoderamento, resiliência e inclusão de populações vulneráveis, entre outros. 

Neste contexto, são bem-vindos artigos relacionados com a atual crise global, social e financeira devido à pandemia. Entretanto, procuramos nos concentrar mais amplamente no fenômeno midiático como uma experiência cotidiana na qual poderes hegemônicos globais se confrontam com resistências locais na busca do reconhecimento do Outro.