Jorgelina Molina Planas

Transcontinental Human Trajectories

Migração pendular de estudantes universitários na região de Aquidauana - Mato Grosso do Sul- Brasil Pendular migration of university students in the Aquidauana Region – Mato Grosso do Sul State – Brazil

Sandra Maria Rebello de Lima Francellino 

Published on line 22 juillet 2020

Digital Object Identifier : 10.25965/trahs.2395

Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa que teve como finalidade fazer um levantamento sobre o tema da migração pendular específica para fins educacionais. A migração pendular se refere aos deslocamentos diários dos indivíduos para realizar ações de sua vida cotidiana como: trabalhar, estudar, lazer entre outros. Os estudos que referenciam esse texto indicam que um dos fatores que propiciam a migração pendular estudantil no Brasil é o fato de pessoas serem impedidas de continuar seus estudos em seus municípios de origem residencial e, pela falta de oportunidades, se movimentam para cidades vizinhas buscando uma formação acadêmica superior, não estabelecendo residência no lugar escolhido. A metodologia deste trabalho foi constituída a partir de uma pesquisa qualitativa através de estudo bibliográfico sobre a temática proposta e pesquisa exploratória participante na qual utilizamos um instrumento de coleta de dados para compreender o processo da migração pendular em estudantes universitários na região de Aquidauana- Mato Grosso do Sul - Brasil. Os resultados possibilitaram constatar que o município tem forte representatividade quando o assunto é educação, contando com sete Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas e Privadas que juntas formam profissionais para o mercado de trabalho. A migração pendular estudantil tem uma importância significativa enquanto objeto de estudo da mobilidade populacional, sendo uma condição social e material que altera as mediações das relações entre os indivíduos e a sociedade na qual os sujeitos estão inseridos, com destaque para o acesso às populações indígenas, assentados e ribeirinhos.

Cet article présente le résultat d'une recherche basée sur une enquête dont le thème est la migration pendulaire spécifique à des fins pédagogiques. Celle-ci fait référence au déplacement quotidien d'individus pour effectuer des actions de leur vie quotidienne telles que: le travail, les études, les loisirs, entre autres. Les références dont nous nous servons indiquent que l'un des facteurs qui favorisent la migration des étudiants au Brésil est le fait que les gens sont empêchés de poursuivre leurs études dans leur propre ville et, en raison du manque d'opportunités, ils se déplacent vers les villes voisines à la recherche d'un enseignement universitaire supérieur, sans un établissement de résidence du lieu choisi. La méthodologie de ce travail est issue d'une recherche qualitative à travers une étude bibliographique sur le thème proposé et une recherche exploratoire participative dans laquelle un instrument de collecte de données a été utilisé pour comprendre le processus de migration pendulaire des étudiants universitaires dans la région d'Aquidauana - État du Mato Grosso do Sul - Brésil. Les résultats ont montré que la municipalité a une forte représentation en matière d'éducation, avec sept établissements d'enseignement supérieur (EES) publics et privés qui forment ensemble des professionnels. La migration pendulaire de ces étudiants a une importance significative comme objet d'étude de la mobilité de la population, étant une condition sociale et matérielle qui modifie les médiations des relations entre les individus et la société dans laquelle ils se trouvent, en mettant l'accent sur l'accès aux populations autochtones, installés et au bord de la rivière.

Este artículo presenta el resultado de una investigación que tuvo como objetivo realizar una encuesta sobre el tema de la migración específica del péndulo con fines educativos. La migración pendular se refiere al desplazamiento diario de individuos para realizar acciones de su vida diaria tales como: trabajo, estudio, ocio, entre otros. Los estudios que hacen referencia a este texto indican que uno de los factores que promueven la migración de estudiantes en Brasil es el hecho de que a las personas se les impide continuar sus estudios en sus propias ciudades y, debido a la falta de oportunidades, se mudan a las ciudades vecinas en busca de un educación académica superior, no establecer residencia en el lugar elegido. La metodología de este trabajo provino de una investigación cualitativa a través del estudio bibliográfico sobre el tema propuesto y la investigación exploratoria participativa en la que se utilizó un instrumento de recopilación de datos para comprender el proceso de migración pendular de estudiantes universitarios en la región de Aquidauana - estado de Mato Grosso do Sul - Brasil. Los resultados mostraron que el municipio tiene una fuerte representación en lo que respecta a la educación, con siete instituciones de educación superior (IES) públicas y privadas que juntas forman profesionales. La migración pendular de estos estudiantes tiene una importancia significativa como objeto de estudio de la movilidad de la población, ya que es una condición social y material que altera las mediaciones de las relaciones entre los individuos y la sociedad en la que se encuentran, con énfasis en el acceso a las poblaciones indígenas. asentado y ribereño.

This article presents the result of a research that aimed to make a survey on the subject of the specific pendulum migration for educational purposes. Pendular migration refers to the daily displacement of individuals to perform actions of their daily life such as: work, study, leisure, among others. The studies that reference this text indicate that one of the factors that promote student migration in Brazil is the fact that people are prevented from continuing their studies in their own cities and, due to the lack of opportunities, they move to neighboring cities looking for a higher academic education, not establishing residence in the chosen place. The methodology of this work came from a qualitative research through bibliographic study on the proposed theme and participatory exploratory research in which a data collection instrument was used to understand the process of pendular migration of university students in the Aquidauana region – Mato Grosso do Sul state – Brazil. The results showed that the municipality has a strong representation when it comes to education, with seven Public and Private Higher Education Institutions (HEI) that together form professionals. The pendular migration of theses students has a significant importance as an object of study of population mobility, being a social and material condition that alters the mediations of relationships between individuals and the society in which they are in, with emphasis on access to indigenous populations, settled and riverside.

Contents

Full text

Introdução

O objetivo deste texto é apresentar o resultado de uma pesquisa exploratória que teve como finalidade fazer um levantamento sobre o tema da migração pendular específica para fins educacionais, na região de Aquidauana no Estado de Mato Grosso do Sul em uma Instituição Pública Federal.

Analisar os movimentos migratórios diários de estudantes surgiram da inquietação de se estudar uma realidade vivenciada por centenas de acadêmicos que se deslocam de seus municípios, comunidades e assentamentos, com destino à cidade de Aquidauana enfrentando de duas a três horas de viagem para ir e vir, cansaço, desmotivação e mesmo assim não desistem de seus projetos de vida, busca pelo conhecimento e por uma formação superior.

De acordo com Golgher (2004), migração é um dos três componentes da dinâmica populacional, sendo os outros à fecundidade e à mortalidade. Dos três, a migração é a mais difícil de se definir pois, por mais que seja aparentemente simple, seu estudo é complexo, e seus termos afins abrem espaços para grandes discussões, inclusive com as noções de espaço e tempo que são considerados centrais em sua definição.

Migração Pendular é um conceito antigo na Geografia e ele se ressignifica no contexto atual, em função das necessidades alternativas de busca por postos de trabalho, de formação e das interfaces regionais decorrentes dos rearranjos intrarregionais consequentes da dinâmica econômica e populacional.

Levando em conta que a migração pendular é de grande relevância para se compreender as transformações socioeconômicas, deve-se considerar a sua diversidade de uso do termo que aparece nos trabalhos acadêmicos ora como mobilidade pendular, movimento pendular e deslocamento pendular. Ravenstein (1985) denomina de migrantes temporários; Castells (1972) chama de migrantes alternantes; commuting é o termo americano, e os franceses designam de navettes. Todos esses termos associados aos deslocamentos cotidianos pela população (Tavares, 2016: 26).

Jardim, a respeito da migração pendular nos afirma: “[...] o conceito de pendularidade estaria restrito aos movimentos diários para trabalho e estudo” (2011:18). Partindo desta definição, vamos considerar neste artigo o termo migração pendular, por se entender que tal processo é apresentado em forma de um deslocamento diário, no qual o migrante alterna seu cotidiano de vida entre sua residência e o local onde busca formação acadêmica; portanto, não ocasiona uma transferência definitiva do migrante para outro lugar.

A seguir estaremos apresentando os procedimentos metodológicos para a realização da pesquisa, bem como análise e discussão dos resultados.

I- Pesquisa e seus aspectos metodológicos

Esta pesquisa se deu no campo bibliográfico e exploratória, sua natureza é qualitativa e seu método é descritivo.

Utilizamos o Portal da CAPES, que oferece a possibilidade de acesso a diversas publicações científicas, incluindo banco de dados, teses, dissertações, periódicos científicos entre outros. Também utilizamos como busca avançada os sites do PEPISC, Scielo e Lilacs. Utilizamos como descritores: Migração, Migração pendular, Migração pendular de estudantes universitários, Migração Pendular e evasão escolar Migração escolar e estradeira, Deslocamento pendular e Mobilidade pendular de estudantes.

Além do portal utilizamos livros, documentos eletrônicos, que abrangem o tema proposto. Também se utilizou de observação participante para compor este estudo, ou seja, da vivência e do compartilhamento do cotidiano com estudantes em migração pendular, bem como de um instrumento de coletas de dados cujos dados foram analisados considerando a abordagem da Psicologia Sócio Histórica, que compreende o homem como um ser provido de cultura e história que lhe são anteriores e que cabe a esse sujeito apropriar, elaborar e reproduzir a sociedade a qual pertence

II- Migrações no Brasil e no mundo

Migração não é um processo novo que acontece apenas na modernidade. Santos (1994) afirma que os homens primitivos já se deslocavam em busca de alimento para sua sobrevivência. Esses viviam como nômades, sempre buscando alimentos e condições favoráveis a sua fixação. Assim, é um processo histórico e social, pois depende do momento histórico que o indivíduo está vivendo e das condições que o levam a migrar.

A questão da migração é um dos problemas mais relevantes na contemporaneidade; é um processo cada vez mais presente, motivado pela globalização e o sistema capitalista. Desse modo, o mundo moderno possibilita o deslocamento de pessoas decorrentes de diversas regiões do mundo, e o Brasil tem sido destino de muitos para recomeçar a vida, tanto a nível nacional como internacional fugindo de guerras e dificuldades de ordem econômica, social, cultural e religiosa que geram as desigualdades sociais. Nesta pesquisa, enfatizamos a migração interna, ou seja, dentro do território brasileiro.

No que diz respeito à migração interna o Brasil atingiu seu ápice entre as décadas de 1960 e 1980 quando muitos nordestinos se deslocaram rumo à região sudeste. Becker assinala que “no âmbito das migrações internas, igualmente diversificada tem sido a tipologia dos deslocamentos”(2006: 321-322). Essa autora destaca o intenso fluxo rural-urbano que ocorreram nas décadas de 50 e 60, em função de um período marcado pela crescente concentração fundiária e pela industrialização nos grandes centros urbanos do Sudeste brasileiro.

Na década de 70, estabeleceram-se migrações interestaduais de longa distância principalmente a de nordestinos para o eixo Rio – São Paulo e a de sulistas para áreas do Centro – Oeste e da Amazônia. Multiplicaram-se as migrações de assalariados rurais como, por exemplo, os temporários (volantes e boias-frias) para as colheitas de cana-de-açúcar e laranja.

Note de bas de page 1 :

MST Movimento Sem Terra está organizado em 24 estados nas cinco regiões do país. No total, são cerca de 350 mil famílias que conquistaram a terra por meio da luta e da organização dos trabalhadores rurais.

Para a construção de grandes obras de infraestruturas energéticas fomentaram-se os deslocamentos sucessivos de barrageiros ao longo das áreas de fronteiras tanto nacional como internacional. Mas por outro lado, intensificou-se a mobilidade intermunicipal e intramunicipal, seja rural – urbana ou rural – rural, em decorrência da falta de terra, levando ao surgimento de movimentos sociais de resistência. Como exemplos: a referida autora cita o Movimento dos Sem Terras (MST)1 e o das populações extrativistas da Amazônia ocidental.

Para Becker esses movimentos são:

a contra mobilidade emergindo como expressão do direito de não migrar, ou de permanecer no espaço de origem; é a luta em defesa do livre-arbítrio, quanto ao espaço a ocupar e a cultura a preservar. É o singular tentando manter seu lugar no espaço econômico global. (2006: 322)

A referida autora pontua que outras formas e escalas de mobilidade ainda podem ser lembradas como os deslocamentos intraurbanos de caráter residencial e os movimentos pendulares intra-metropolitanos para trabalho e/ou estudos. Esses também refletem à expansão e a multiplicação dos espaços focais da pobreza e violência.

De acordo com Becker, a migração pode ser definida como “mobilidade espacial da população” (2006: 323) e como mecanismo de deslocamento populacional; favorece mudanças nas relações entre as pessoas e entre essas e seu ambiente físico. Nesse sentido, migrar é trocar de país, estado, região ou até de domicílio. E como já mencionamos pode ser impulsionado por fatores econômicos, políticos e culturais.

O documento “Conceitos Básicos de Migração” da Organização Internacional para Migrações (2010) define migração como movimento de população de um território para outro ou dentro do mesmo, abrange todo movimento de pessoas, seja qual for o tamanho, composição e causa. Inclui a migração de refugiados, de pessoas deslocadas, desarraigadas e migrantes econômicos.

Segundo o relatório do World Migration de 2013, identificam-se um conjunto de motivações para o ato de migrar, como os fatores econômicos, governança e serviços, desequilíbrios demográficos, conflitos, fatores ambientais e redes transnacionais.

São as desigualdades que levam boa parte da população a buscar novas oportunidades em novos mercados de trabalho e melhores condições salariais, gerando no pensamento dos indivíduos a noção de que a vida em tal localidade seria melhor, mais fácil ou de melhor qualidade.

Segundo Saladini (2011) com a globalização, os deslocamentos populacionais ganham um novo significado e novas características no que se refere à exclusão de grandes contingentes da população mundial do mercado de trabalho, precária integração no sistema produtor de mercadoria que desencadeiam novas formas de deslocamentos territoriais, que não implicam em mudança de moradia.

Os movimentos podem ser de longa distância, que na maioria das vezes necessitam de moradia fixa ou sazonal, como os realizados entre estados e países, podem ser de curta distância, que não exigem mudança de moradia, ocorrendo entre cidades e localidades vizinhas, que são chamados de migrações pendulares.

III- Migrações Pendulares para estudos no ensino superior

De acordo com Jardim (2007) as migrações pendulares estão relacionadas aos processos de deslocamentos da população no território, num determinado contexto e tempo socialmente constituído, e conforme acontece às mudanças na organização da economia e da sociedade vai ganhando especificidades e finalidades. Nesse sentido, não deve estar desvinculado dos estudos de urbanização, que por sua vez não se separa da mudança social e do desenvolvimento econômico.

Note de bas de page 2 :

REUNI é o Programa do Governo Federal de Apoio a planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras, parte integrante de um conjunto de ações do Governo Federal no Plano de Desenvolvimento de Educação do MEC. Fonte: reuni.ufsc.br.

Note de bas de page 3 :

SISU: Sistema de Seleção Unificada é um Programa do Ministério da Educação (MEC) que oferece vagas em universidades públicas sem precisar fazer o vestibular. Fonte: guia da carreira.com.br

Note de bas de page 4 :

PROUNI: Programa Universidade para Todos promove o acesso as universidades particulares brasileiras para estudantes de baixa renda que tenha estudado o ensino médio exclusivamente em escola pública, ou como bolsista integral em escola particular. Fonte:prouni.com.br

Geralmente o debate a respeito das migrações pendulares está relacionado ao trabalho; porém, em função da ampliação de ofertas de vagas nas instituições superiores e a partir dos programas federais como REUNI2, SISU3 e o PROUNI4 nas instituições privadas, a dinâmica educacional está cada vez mais presente.

A migração pendular se refere aos deslocamentos diários dos indivíduos para realizar ações de sua vida cotidiana como: trabalhar, estudar, lazer entre outros. Mas não é só isso; é muito mais que um movimento de idas e vindas das pessoas, é também viver o lugar, de modo que se relacione com outros indivíduos, compartilhem no seu cotidiano sentimentos, dificuldades, superações e experiências. Assim, o ato de ir e vir, as mesmas viagens, as trajetórias repetitivas e rotineiras, o barulho dos carros, da população, geram lembranças e estabelecem conexões com o espaço, fazem parte do cotidiano dessas pessoas, assumem um valor simbólico com a cidade e o sentimento de pertencer ao lugar.

Nas palavras de Geminiano Junior o espaço geográfico:

por menor que seja, contém sua história, seus traços sociais, suas peculiaridades, seus cheiros, seus sons, e consequentemente indivíduos que se identifiquem com o mesmo, é caraterizado por acumulações de paisagens, formas marcadas e remarcadas, pelo concreto, mas também por valores invisíveis aos olhares de um turista ou alguém que desconhece as relações ali um dia exercidas, entretanto podem ser sentidos por quem ali conviveu, produziu vínculos, estudou, no contexto acadêmico, ou vinculou-se com a cidade, tais marcas são fomentadas nas práticas sociais com esse espaço geográfico. (2012: 36)

São muitos os fatores que favorecem para a migração pendular de pessoas, principalmente a busca por instituições de ensino superior, responsável pelo fluxo considerável de jovens e adultos que se deslocam diariamente rumo à universidade, enfrentando desde simples empecilhos a grandes desafios, que se associados a outros fatores da mobilidade diária podem causar grandes prejuízos a sua vida pessoal e educacional.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2015) em todo o Brasil, 7,4 milhões de pessoas se deslocam para cidades vizinhas de onde moram para trabalhar ou estudar, correspondendo a 6,7% da população que estuda e/ou trabalha. Essas informações são baseadas no Censo de 2010, sobre concentrações urbanas e arranjos populacionais. Esse percentual sobe para 10,6% quando se considera as regiões metropolitanas, pois de um modo geral, os fluxos associados a esse tipo de deslocamentos se concentram nas principais aglomerações urbanas do país.

Segundo o IBGE (2015), os arranjos populacionais se formam em grande maioria por motivos econômicos, já que, em geral, as populações de cidades menores e mais pobres procuram alternativas de emprego e estudo em cidades vizinhas. Há ainda situações em que o motivo da formação do arranjo é política, no caso de cidades que são separadas, mas, mantém ligação histórica como se ainda fosse uma só.

Para Oliveira (2011) o movimento pendular se apresentam cada vez mais extenso e complexo interferindo na dinâmica dos espaços metropolitanos. Fatores que podem ser considerados como fundamentais para a realização dos deslocamentos da população são o avanço do meio de transporte e a disseminação do uso do automóvel, bem como a descentralização das atividades econômicas; o crescimento dos centros urbanos e a ocupação, expansão e adensamento populacional das áreas periféricas. Estes favoreceram o crescimento considerável das cidades e como consequência houve uma multiplicação dos fluxos, cada vez mais longos e complicados que ultrapassavam os limites municipais.

Nas cidades metropolitanas com o crescimento populacional têm aparecido problemas urbanos, tais como: aumento expressivo de moradias desiguais, diminuição da qualidade de vida, aumento da criminalidade, trânsito caótico entre outros. Nas Cidades de porte médio (Maringá-PR, Jundiai-SP, Macaé- RJ entre outras) e aglomerações urbanas não metropolitanas também cresceram e com elas, seus problemas.

Dessa forma, os fatores que fazem uma pessoa sair do seu lugar e se movimentar para outro, muitas vezes inexplorável e repleto de diferenças, valores culturais, sociais, políticos exercendo mudanças na identidade de cada um, assim, como tais lugares em função das interações sociais sofrem mutações constantes em sua paisagem, formas e na cultura local. Nesse sentido, o homem é produto e produtor da sociedade, modifica e é modificado pelo espaço.

Um dos fatores que propiciam a migração pendular estudantil é o fato de pessoas não poderem continuar seus estudos em seus municípios de origem residencial e pela falta de oportunidade se movimentam para cidades vizinhas buscando uma formação acadêmica superior ou preparação profissional não estabelecendo residência no lugar escolhido, essa migração diária representa toda uma nova exteriorização e interiorização de simbolismo que possibilitarão novas práticas culturais e sociais, ritmos e rotinas diárias associadas a um dado contexto espacial e afetivo.

A universidade como um espaço de prática social se constitui como um fator favorável para a migração pendular de centenas de estudantes diariamente, pois possibilita além de acontecimentos, de sentimentos, de idas e vindas, permite conhecer uma multiplicidade de relações existentes (entre estudantes, docentes, funcionários) que constroem laços e noções de pertencimento ao longo da graduação. Ou seja, à medida que os indivíduos convivem mantêm relações, identificam-se, e constituem uma rede de significados e sentidos que são tecidos pela história e cultura.

É importante ressaltar que a expansão e a interiorização do Ensino Superior no Brasil tiveram um relevante impulso com o Programa Federal de Expansão da Educação Superior (REUNI) a partir de 2003, contribuindo significativamente para que a migração pendular aumentasse no território brasileiro.

Estudos (Batista et al, 2014; Silva, 2015; Lima, 2015) demonstram que embora a migração pendular tenha aspectos positivos por um lado, como o desejo de mudança de vida, busca por uma melhor posição no mercado de trabalho onde terá melhores chances de realização de suas aspirações sociais. Por outro, pode ser um fator negativo, pois, enfrentam dificuldades tais como: recursos financeiros insuficientes para suprir a demanda necessária no transporte e alimentação, estradas com má conservação entre outros, que podem causar prejuízos e implicações na formação.

Os autores referenciados acima também demonstraram que o deslocamento entre a residência e estudos também podem expor os estudantes a situações de vulnerabilidade enfraquecendo os mecanismos de proteção (família, lugar e comunidade) à medida que aumenta a distância e o tempo de deslocamento. O tempo despendido e o cansaço até a universidade também comprometem a sua realização de atividades extraclasse e estudo pessoal.

IV- Aquidauana (MS) como cidade de acolhimento da migração pendular de estudantes do ensino superior

O município de Aquidauana foi fundado em 15 de agosto de 1892; localizado no estado de Mato Grosso do Sul, as margens do Rio Aquidauana. Sobre a origem do nome existem várias versões, mas para alguns autores segundo a toponomia tupi-guarani e dos índios guaicurus significa ac – grandi; da – lugar; oana – arara; portanto significa lugar das grandes araras (Robba, 1992: 40).

Está situada na serra de Maracaju e fica distante da capital, Campo Grande, 139 km. É conhecida por cidade natureza, devido à variedade de flora e fauna. Em 2019, segundo dados do IBGE, possui uma população estimada de 47.871, distribuídas em zonas urbanas, dez aldeias, quatro assentamentos, e quatro Distritos: Camisão, Cipolândia, Piraputanga e Taunay.

Fonte: Joia e Paixão, 2018

De acordo com Joia e Paixão, o município de Aquidauana possui um extenso território com uma área de 16.958 km. É cortado por 16 rodovias, cada qual com trajeto, extensão e características próprias.

A maior extensão de rodovias está sob a jurisdição do estado de Mato Grosso do Sul (435 km) e os 175 que cruzam o município do estado, além de serem uteis para deslocamentos intramunicipal , interligam diversos municípios do estado de Mato Grosso do Sul, além de ligar a cidade de Aquidauana as rodovias federais troncais como BR 262, BR 267 e BR 163. (2016: 115)

A BR 262 inicia se no Córrego Laranjal, na divisa com Anastácio e termina no córrego de Agachi no acesso ao Distrito de Taunay, na divisa com a cidade de Miranda. “É um importante corredor de acesso para as regiões turísticas do Pantanal e da serra de Maracaju.” (Joia & Paixão, 2016:120).

De acordo com esses autores:

os principais fluxos de pessoas concentram se nos percursos viários próximos a sede do município. Outros fluxos representativos são direcionados da sede do município para a sede dos distritos, especialmente o de Taunay, por haver maior número de pessoas morando naquele distrito, principalmente indígenas. (2016:120)

A base da sua economia está relacionada à indústria (usina de beneficiamento de leite, madeireira, produtos alimentares, minerais não metálicos, metalúrgicos, mobiliários, editorial e gráfico e produtos farmacêuticos e veterinários), serviços (agências de turismos, comércios, bares e atrações noturnas, cursos preparatórios presencias e via web, hotéis e pousadas, livrarias entre outros) e agropecuárias (na agricultura se destaca o cultivo de milho, mandioca e olerícolas e na pecuária o destaque é para a de corte com aproximadamente 804 mil cabeças de bovinos).

Note de bas de page 5 :

IDHM: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é uma medida composta de indicadores de três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda. Fonte: ipea.gov.br

Aquidauana é considerada um dos maiores municípios do estado que possui bons serviços na área de saúde, comércio e educação. Segundo dados do IBGE (2010) o município possui IDHM5 considerado alto pelo Programa Das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo seu valor 0, 688 ocupando o trigésimo quinto lugar entre os setenta e nove municípios de Mato Grosso do Sul.

Considerando o contexto da globalização e o avanço tecnológico a busca pelo saber e formação profissional dá destaque ao ensino superior e Aquidauana é considerada um polo regional de atração educacional, pois absorvem estudantes dos municípios de Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Bodoquena, Nioaque, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Bonito e Bela Vista. E, ainda Distritos de Camisão, Piraputanga, Cipolândia e Taunay.

Atualmente, o município possui três universidades públicas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e quatro universidades privadas: Universidade Anhanguera – Uniderp, Unopar (Universidade Norte do Paraná), Uninter (Centro Universitário Internacional) e Estácio de Sá – Uni Seb (Centro Universitário Interativo).

De acordo com o Censo do IBGE (2007) no ano de 2005 haviam 2.071 alunos matriculados, sendo 36 em universidades particulares, 1.548 em universidades públicas federais e 467 em universidade pública estadual. Com a expansão das universidades e consequente aumento no número de vagas podemos inferir que este número pode ter alterado significativamente o número de matrículas.

No ano de 2020, em Aquidauana, foram ofertadas 416 vagas em três instituições públicas, sendo 150 na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 120 no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul e 161 na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Doarth, 2020)

Neste estudo consideramos os discentes que participam do processo da migração pendular na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Campus de Aquidauana.

O Campus de Aquidauana teve sua criação no início na década de 1970, a partir de uma solicitação na Câmara dos Vereadores para criação da Faculdade de Filosofia” (Doarth, 2019). Em 13 de agosto de 1970, foi criado o Centro Pedagógico de Aquidauana (CPA), integrado à Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT). Em 1979, o Centro passa a constituir uma Unidade da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com o nome de Centro Universitário de Aquidauana (CEUA) e, posteriormente, Campus de Aquidauana (CPAQ). Em 2019, completou 49 anos e, com aumento das ofertas de cursos e do número de alunos, se expandiu e se consolidou no campo da pesquisa, ensino e extensão universitária.

No segundo semestre do ano de 2019 o Campus de Aquidauana possuía 1.341 acadêmicos matriculados na graduação e distribuídos em 10 cursos: bacharelado em Administração, Geografia e Turismo; licenciatura de Ciências Biológicas, História, Letras, Matemática, Pedagogia, Geografia e curso intercultural indígena. E, nos cursos de pós-graduação havia 41 alunos matriculados. (Doarth, 2019)

Em uma análise do cenário microrregional vimos que o município de Aquidauana se destaca por possuir instituições de ensino superior de grande influência no setor educacional, pois possui sete universidades, das quais três são públicas. De acordo com o Relatório do Mapa do Ensino Superior no Brasil em 2017, os números de matriculados em cursos presenciais na graduação que abrange o pantanal sul mato-grossense era de 4.382 sendo, que destes 449 eram na rede particular (Semesp, 2019). Após reflexão e investigação de informações divulgados em sites das instituições podemos inferir que em torno de 2400 estão distribuídos nas diferentes instituições do município. Na prática cotidiana dessa pesquisadora, em sala de aulas, foi possível identificar um número considerável de estudantes que migram diariamente para estudar no município, diante desse quadro podemos afirmar que a atratividade de vagas de ensino superior induz a migração pendular.

IV- As migrações pendulares no município de Aquidauana - MS discussão dos resultados da pesquisa

No século XXI, o tema das migrações internas no Brasil vem adquirindo importância crescente nos estudos da população. A partir da pesquisa realizada foi possível constatar que a migração está diretamente ligada com a história da humanidade e se faz presente até os dias atuais, pois vem ocorrendo em muitas localidades do mundo inclusive nas regiões brasileiras.

O presente estudo possibilitou verificar qual a origem dos acadêmicos do Campus de Aquidauana e constatar que o município tem forte representatividade quando o assunto é educação, contando com sete Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas e privadas que juntas formam profissionais para o mercado de trabalho.

A partir do levantamento bibliográfico pudemos perceber que a migração pendular motivada pelo estudo é um tema pouco explorado no Brasil se compararmos com os deslocamentos diários da população para o trabalho. De acordo com Lima: uma provável hipótese para a escassez da produtividade desse tema no Brasil se dê por um fator metodológico (2015: 32). Ou seja, há uma lacuna sobre essa temática até o momento, e o que inviabiliza um estudo maior nessa área são as informações disponibilizadas pelo Censo Demográfico sobre as pessoas que estudam em municípios diferentes daqueles que residem, sendo limitadas em algumas variáveis.

Note de bas de page 6 :

Censo Escolar: é um levantamento de dados estatísticos educacionais de âmbito nacional realizado todos os anos e coordenado pelo Inep. É feito com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de educação e com a participação de todas as escolas públicas do País.Trata se do principal instrumento de coleta de informações da educação básica, que abrange as suas diferentes etapas e modalidades: ensino regular (educação infantil e ensino fundamental e médio), educação especial e educação de jovens e adultos.

Portanto, o referido autor aponta que existem outras fontes que podem ser utilizadas para um melhor desenvolvimento de estudos sobre o movimento pendular de estudante. Um recurso bastante acessível a todas as pessoas e que possibilita um maior grau de detalhamento e recursos para a produção de um trabalho bem consistente e de maior visibilidade é o Censo Escolar6.

Observamos tendências de produção sobre migração pendular com maior incidência na área de demografia e geografia. A primeira é a ciência que estuda as populações humanas em aspectos como natalidade, produção econômica, distribuição étnica entre outros. A segunda é a ciência que trata da descrição da terra e dos fenômenos físicos, biológicos e humanos que nela ocorrem, suas causas e relações.

Identificamos que há uma lacuna nessa temática quanto à produção de pesquisa principalmente na área de psicologia, pois nada foi encontrado na base de dados utilizados por essa pesquisadora. Uma das dificuldades encontradas após a leitura do material é que alguns textos embora sejam resultados de pesquisa, não apresentam de forma clara os aspectos metodológicos norteadores dos trabalhos impedindo aos leitores uma compreensão mais clara da problemática.

Percebemos que a migração pendular estudantil tem uma importância significativa enquanto objeto de estudo da mobilidade populacional, mas ainda não tem tanta relevância teórica no Brasil, pois, carece de pesquisas que tem muito a contribuir para os estudos urbanos, sociais, econômicos e psicológicos principalmente no que se refere à constituição da subjetividade humana.

Dessa forma, é importante ressaltar que o fenômeno da migração pendular é uma condição social e material que altera as mediações das relações entre os indivíduos e a sociedade na qual os sujeitos estão inseridos. Nesse sentido, só é possível entender as implicações que a migração pendular adquire no âmbito dos processos psicológicos quando o concretizamos na realidade social.

Considerando a coleta de dados sobre o estudo em questão tivemos por base a elaboração de um instrumento de pesquisa, na forma de um questionário que foram aplicados de forma aleatória em 6 estudantes regularmente matriculados nos diferentes cursos da UFMS/CPAQ. Este contou com questões fechadas e abertas. As primeiras se referiam a distância da residência ao local de estudo, tempo de viagem de ida e de volta, conforto do veículo entre outros. As últimas relacionadas aos aspectos pessoais e motivacionais que o processo de migração pendular suscitam nos estudantes. Após aplicação os dados foram sistematizados e analisados. É importante destacar que na discussão dos resultados apresento informações que são fruto de observação da prática cotidiana dessa pesquisadora.

No que diz respeito à origem dos estudantes em processo de migração pendular no município de Aquidauana identificamos procedência de diferentes aldeias indígenas, da etnia Terena. Dos seis participantes que se deslocam diariamente de suas comunidades para o estudo, dois são da aldeia Limão verde, dois da aldeia Moreira em Miranda, um da aldeia Bananal e um da aldeia Ypegue.

Os da Aldeia Limão verde enfrentam viagem com distância de 23 quilômetros diariamente. Os acadêmicos da aldeia Moreira têm um percurso longo em torno de 100 km, pois precisam se deslocar da sua moradia até o centro de Miranda e de lá pegar o ônibus para Aquidauana, seguindo mais 75 quilômetros. O da Aldeia Bananal e Ypegue também tem um percurso longo pois viajam em torno de 60 quilômetros para chegar até a UFMS/CPAQ.

Há estudantes que moram em outras comunidades indígenas que estão distantes do Campus da UFMS: Água Branca (60,4 km), Morrinho (59 km), Lagoinha (59,1 km) e Imbirussu (58.5) entre outras. O Distrito de Camisão (18 km), Cipolândia (65,7), Piraputanga (30.7 km) e Taunay (56 km). As aldeias mais populosas são a de Bananal com 1.435 moradores, seguida de Limão verde com 1.270 e Ypegue com 1.109. (Salvador, 2012)

Com relação ao modo como os alunos se deslocam para a universidade em sua maioria utilizam ônibus disponibilizado pela prefeitura, ou ônibus escolar das aldeias. O tempo gasto pelos alunos é de uma hora a uma hora e trinta minutos para a ida e para a volta. Os acadêmicos da Aldeia Limão verde, do período vespertino, saem da sua moradia às 12 horas e só retornam por volta das 19 horas quando os alunos do período noturno chegam para as aulas presenciais. Estes só retornam após às 23 horas. Os acadêmicos que moram em Miranda saem de sua residência às 10h30 e só retornam no início da noite às 18 horas. Gastando diariamente em média três horas no percurso. Quanto à qualidade dos transportes os alunos em situação de entrevista avaliaram como pouco confortável.

Note de bas de page 7 :

BR 262 é uma rodovia transversal brasileira que interliga os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. É a nona maior rodovia do país, possuindo 2.213 quilômetros de extensão.

Os estudantes mencionaram que no percurso diário enfrentam dificuldades frequentes tais como: cansaço, atrasos dos ônibus principalmente quando chove, pois, as estradas são ruins, cheias de buracos, há problemas mecânicos dos ônibus ocasionando perda de aulas, prova, seminários, levando muitos acadêmicos a reprovação caso os docentes não relevem tais imprevistos. Além dessas dificuldades citaram perigos nos trajetos; por se tratar de uma BR (262)7 enfrentam presenças de animais na pista, trechos sem acostamentos, tráfego de caminhões de carga e carros particulares em alta velocidade.

Fonte: AGESUL, 2017.

Note de bas de page 8 :

Pessoas descendentes e remanescentes de comunidades formadas por escravizados fugitivos (os quilombos), entre o século XVI e o ano de 1888 (quando houve a abolição da escravatura), no Brasil.

A questão financeira também foi apontada pelos discentes como uma dificuldade. Embora, os acadêmicos comprovadamente indígenas e ou quilombolas8 que estão regularmente matriculados em cursos de graduação presencial recebem um auxílio financeiro do MEC, no valor de 900 reais, ainda reclamam não ter dinheiro para adquirir o material didático para leitura solicitado pelos docentes e, até mesmo para sua alimentação, fatores desmotivadores e que podem prejudicar o processo ensino aprendizagem. Observamos que para muitos, esse auxílio financeiro é a única renda familiar para a sua sobrevivência e de sua família.

Quanto ao seu desempenho, relataram que por morarem em outras localidades se sentem prejudicados, pois não podem se dedicar ou participar de grupos de estudos, projetos e cursos de extensão devido à falta de um programa que atenda aos acadêmicos que migram diariamente. Assim, constatamos que apesar das dificuldades acima elencadas os acadêmicos ainda encontram motivação para permanecer na migração pendular. A motivação principal é o ingresso numa universidade pública federal, a atratividade acontece porque as instituições se localizam na microrregião, pois muitos dos discentes não têm acesso à capital de Estado – Campo Grande –, ou por que tem poucos recursos financeiros ou pela distância territorial.

Apontam ainda como fatores motivadores a construção de vínculos, se sentem parte de um todo, pois se sentem compromissados e identificam-se com alguns docentes e valorizam a instituição. Em suma, nota-se que a motivação que leva a migração pendular são diferentes e variam de região, de local para local, no caso específico desse trabalho é a realização de uma formação profissional. Diante de tantos desafios se faz necessário, programas e projetos de extensão direcionada para esses acadêmicos de forma a minimizar as suas dificuldades.

Considerações finais

A migração sempre existiu, mas ao longo do desenvolvimento de formação da humanidade seu processo vai aos poucos se modificando de acordo com seu tempo histórico, imprimindo um processo de questão social cada vez mais complexo no âmbito do que tange as populações.

Contemporaneamente eles acontecem pelos motivos (religiosos, culturais, econômicos, educacionais, políticos, ideológicos entre outros) e que desencadeiam inúmeras alterações nos espaços geográficos entre os locais de origem e os locais de destino.

No Brasil as migrações internas acontecem em grande parte por aspectos econômicos ou causas naturais como as grandes secas que atingem a região nordeste do país. As pessoas migram para a região sudeste em busca de melhores condições de vida e oportunidade de emprego. Por causa disso, é importante um olhar para a sociedade como um todo, avaliando os aspectos econômicos, culturais, sociais e políticos que influenciam nos processos migratórios tanto a nível regional como global.

Vimos que as migrações pendulares são muito mais que o ato de ir e vir das pessoas, mas sim de ter acesso ao direito à educação, conviver é viver o lugar de modo que se relacione com outros indivíduos e, com estes, compartilhar seus sentimentos, expectativas, interesses e necessidades, de modo a construir sua própria história.

Note de bas de page 9 :

ENEN foi criado em 1998 pelo Ministério da Educação (MEC) é uma prova realizada em todo o Brasil por pessoas que já concluíram ou estão em fase de conclusão do ensino médio. Fonte:www. Enenvirtual.com .br

Esse processo a cada dia se amplia e torna-se mais complexo e tem incidência nos grandes centros urbanos, por motivo de trabalho. Para a finalidade de estudos ainda são recentes e carecem de pesquisas, principalmente no ensino superior, mas vem ganhando maior visibilidade enquanto estudos da mobilidade populacional, pois tende ao crescimento, porque os processos seletivos das universidades públicas consideram que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)9 aumentou muito a migração pendular dos estudantes, especialmente na mobilidade de longa distância.

O processo de interiorização de ensino superior resultou em maior acesso da população local e também permitiu à residentes de municípios vizinhos a mesma opção. Dessa forma, podemos afirmar que contribuiu significativamente para que os processos pendulares se ampliassem. E neste sentido, torna-se cada vez mais premente o estudo das especificidades que a questão da migração pendular suscita nas individualidades e nas questões de âmbito social, pois trata de deslocamentos de pessoas de um lugar para outro, motivados por um ou mais fatores, sendo complexos e amplos os aspectos que a determinam.